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Geraldol e Anna Calmon, da Fazenda Cananéia, falam sobre Certificação na Produção de Leite PDF Imprimir E-mail
Qua, 22 de Dezembro de 2010 13:05

A Fazenda Cananéia iniciou suas operações em maio de 2002 em Vassouras, Rio de Janeiro. Os criados de gado Jersey, Geraldo e Anna Calmon, transformaram a produção de leite e a busca pela certificação do produto em um modo de vida.


MilkPoint:Porque certificar o leite? Quais as perspectivas futuras?

FC: A certificação hoje é quase uma imposição da tecnologia moderna. Em todo nosso trabalho sempre mantivemos a perspectiva da otimização.

Por essas coisas da vida, em 2002, mudamos a fazenda para o endereço atual onde tivemos de começar do zero em termos de instalações. Terra boa, topografia boa, localização boa, nenhuma instalação. Já que tínhamos que construir tudo de novo, fomos à luta.

Construímos um curral novinho em folha, embaixo de uma estrutura de metal de 100mx30m usando nossa experiência de mais de 30 anos em curral de leite, e nos baseando no projeto de manejo especialmente encomendado ao Dr. José Nestor de Souza, agrônomo da EMATER de Vassouras, RJ. O projeto das instalações, além de atender outros requisitos

modernos de um curral de leite (como refeitório, banheiros femininos e masculinos, etc.), é especialmente preocupado em atender as exigências atuais de proteção ao meio ambiente, saúde e segurança do trabalhador, e bem estar animal. Todo o dejeto, recolhido no curral (manejo tie-stall entre as duas ordenhas) vai para um grande tanque e é periodicamente bombeado para piquetes e plantações. Nada atinge o riacho que corta a propriedade.


Nossa principal perspectiva futura é produzir cada vez mais com excelência. Hoje já temos um produto diferenciado, pois nosso leite de gado Jersey nos fornece altos níveis de sólidos totais e nosso manejo nos garante a qualidade microbiológica, a sanidade controlada e os índices exigidos pela indústria de laticínios.

Veja no link abaixo são disponibilizados nossos números, que Dr. Milton Salles (zootecnista, encarregado pela nutrição dos animais) atualiza mensalmente: www.fazendacananeia.com.br.

Então, por experiência própria, já sabemos o que é ter um produto reconhecido por seu valor. Bom preço! Com instalações modernas e produto de qualidade, achamos que estávamos com meio caminho andado quando ouvimos falar em Certificação Integrada de Produção de Leite Bovino.

Em maio deste ano começamos a trabalhar, sob a orientação da Dra. Roberta Zuge, para conquistar a certificação.

MilkPoint: Quais as vantagens de implementar a norma de produção integrada de leite?

FC: O termo integrada traz ao processo a visão de respeito pelo meio ambiente (solo, ar, água, vegetal e animal) e pela ordem social (condições de trabalho valorizando o homem e respeitando a legislação trabalhista vigente).

Depois da valorização comercial do produto e da valorização do produtor, a maior vantagem é que implantamos procedimentos nunca antes cogitados em um curral, mas que são ferramentas valiosíssimas para uma gestão apurada e nos ajudam nas rotinas dando segurança e confiança e minorando o estresse do dia-a-dia. O Prof. Edinaldo Bezerra, da UFRRJ, se encarrega da gestão na Cananéia.

Com isto estamos nos habituando a uma constante avaliação nos nossos processos. As novidades trazem um fôlego novo. Estamos modernizando nossa atividade para integrá-la à vida e as exigências do mundo atual. Estamos trabalhando para mantê-la sustentável no sentido mais amplo do termo!

MilkPoint: Quais as dificuldades encontradas?

FC: Como toda novidade os custos da certificação ainda são bastante altos, pois os profissionais na área são poucos e as visitas têm que ser periódicas porque são muitas as inovações: até na arrumação dos armários (prateleira de cima medicamentos em pó, prateleira debaixo, medicamentos líquidos)!

É bastante compreensível que durante a implantação da norma, o trabalho fique aumentado, porque são muitos novos procedimentos e muitas providências a tomar. Temos ainda o que aprender, mas já aprendemos bastante. A transformação começa dentro da gente e se estende a todos os procedimentos em volta.

Sentimos que esta nova visão de nossa atividade agrega muito valor a ela, e, nos mantém sintonizados com o mundo que pretendemos deixar para os que vêm. Não podemos mais aceitar, por exemplo, adesivos informativos nas máquinas que importamos impressos na língua do país de origem, nem o caminhão de entrega de insumos varrendo a carroceria em nosso pátio e deixando o lixo onde caiu, nem que a ração tenha uma determinada composição impressa no saco, e outra contida dentro. Agora, já somos capazes de ser mais exigentes.

 

Nossa maior dificuldade tem sido com os fornecedores, que tem que se adequar às novas regras, como horários de entrega, procedimento adequado no empilhamento da sacaria, fornecimento de treinamento do nosso pessoal para lida com aparelhos e máquinas por eles vendidos. Instruções em português no material importado. Coisas simples que fazem toda a diferença.

MilkPoint:Qual a receptividade de técnicos e funcionários?

FC: Todos os profissionais se integraram com muito boa vontade ao trabalho de implementação das novas normas de procedimentos. Sendo que os técnicos de nível superior, Dr. Sérgio Cordeiro (veterinário) e Dr. Renato Schmidt (agrônomo) já estão aplicando alguns desses procedimentos em outras propriedades que atuam.

 

Contamos também com a participação interessada da técnica de laboratório, Kátia Vasconcelos que periodicamente executa os testes para controle de qualidade do leite e da água, e, do nosso orientador para escolha de sêmen Luiz Carlos Cairo.

Um acontecimento que agradavelmente nos surpreendeu, foi o fato de descobrir que os empregados se sentiram valorizados ao serem envolvidos em tarefas que não estavam acostumados, como assistirem a palestras e reuniões. Discutir sentados, em grupo, suas rotinas e afazeres trouxe valorização para suas atividades e um consequente aumento na auto-estima, o que no final das contas reflete em benefício da produção através da maior conscientização e da maior responsabilidade no papel que cada um exerce como peça importante de uma engrenagem maior.

MilkPoint: Nesta fase de implementação já são identificados benefícios para a fazenda?

FC: A esta altura já dá para vislumbrarmos alguns benefícios derivados do trabalho da Dra. Roberta Zuge:

- Sentimento de valorização de nossa atividade
- Certeza no reconhecimento do valor de nosso produto
- Melhoramento nos procedimentos adotados
- Melhor organização
- Maior segurança, menos stress
- Aumento do sentimento de "mais valia" nos profissionais envolvidos
- Motivo de orgulho para os proprietários, pois é uma das primeiras propriedades do mundo a se candidatar ao Certificado de Produção Integrada de Leite Bovino.

 

Fonte: MilkPoint

 


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